Marcos Palmeira em entrevista à Viajeira

VIAJEIRA – Do drama de Kubitschek à comédia “E aí…comeu?”… tudo em família?
MARCOS PALMEIRA – Ah, tudo em casa. No “Bela noite”, que retrata o caminho do JK, eu tive a honra e a audácia de ser dirigido, de novo, pelo Zelito! Por um lado facilita bastante, é meu pai, rola naturalmente. Por outro lado, é meu pai! Mas, sem brincadeira, eu passei a admirar ainda mais a figura, o que ele representa no cinema nacional. Com o Bruno (Bruno Mazzeo) – muito mais que um primo –, foi uma diversão, quem assiste percebe.
VIAJEIRA – Uma pergunta bem previsível (é que, na real, intriga): você não cansa de fazer televisão?
MARCOS PALMEIRA – Às vezes. Como todo ser humano. Nada extraordinário. Canso, me interesso profundamente, canso… É essa a dinâmica. Mas não adianta inventar manchete: “Marcos Palmeira revela estar cansado da televisão”. Seria mentira.
VIAJEIRA – E ninguém nega que você conhece essa dinâmica, já deve estar tudo digerido, bem acomodado…
MARCOS PALMEIRA – Olha, rapaz, eu comecei com vinte e poucos. Isso na televisão. No cinema muito antes…com cinco anos eu já tinha sentido, meio sem saber, o gostinho da telona, um germe que me tocou bem mais cedo. Enfim, mais de vinte e cinco anos de tv. E tem hora que dá a impressão de que eu não sei nada. As coisas estão mudando muito rápido…
VIAJEIRA – Ou você que está ficando velho? Impossível, você não fica velho. Nem de perto você é velho. Sem querer pagar de Ana Maria Braga, aprendeu alguma mutreta com os índios?
MARCOS PALMEIRA – De beleza, não…aprendi outras coisas… (gargalhadas). Esse ano eu completo cinquenta…estive pensando na loucura desses últimos dez anos. O pedido de socorro do meu amigo, o cacique xavante, foi uma revolução na minha vida, deu no que deu. Pra todo mundo. A minha experiência à frente do A’Uwe é uma pequena face do processo. A série abriu os olhos de uma imensidão de pessoas, mas é só o primeiro passo. A briga é grande, e ainda tem muita gente cega.
VIAJEIRA – E o cultivo de alimentos orgânicos? De pé?
MARCOS PALMEIRA – De pé, sempre. Essa é outra luta da qual eu não abro mão.
VIAJEIRA – Você que, no cinema, emprestou a alma ao Villa-Lobos, o que tem ouvido?
MARCOS PALMEIRA – Ouço de tudo. Tenho um rigor, o meu rigor, mas acabo ouvindo de tudo. Gosto de novidade, mas tenho meus discos de cabeceira. “Disco de cabeceira”? É, vale, vale. Ao lado dos meus livros…
VIAJEIRA – Vale, vale…já valeu…e que você tem visto de novo por aí, na música brasileira?
MARCOS PALMEIRA – Ah, a nova cena de São Paulo, a molecada…música brasileira fina, música popular, ousada mas sem hermetismos.
VIAJEIRA – Lembra de alguém em especial?
MARCOS PALMEIRA – Prefiro não citar nomes. Eu vou esquecer de alguém…e já viu…
VIAJEIRA – É, deixa pra lá.
MARCOS PALMEIRA – Mas vocês sabem de quem eu estou falando.
VIAJEIRA – E o “Canto da Sereia”?

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