Ensaio de “Túmulo do samba”

É muita malandragem! Roberto Riberti e Germano Mathias no ensaio de “Túmulo do samba”, canção do disco homônimo de Riberti, que será lançado em breve. Curta!

Publicado em A Viajeira! | Deixe um comentário

Di Melo no Porão da Faculdade de Direito do Largo São Francisco

O projeto cultural “Vozes do Porão” apresenta Di Melo

Depois do sucesso de Dona Inah e de Lô Borges, o Porão, sede histórica do Centro Acadêmico XI de Agosto, recebe Di Melo! É mais uma grande edição do projeto “Vozes do Porão”, que tem por essência a valorização de uma cena cultural independente no Centro Velho, bem no coração da cidade de São Paulo.
Em 1975, Di Melo gravou um disco inovador, que fundia o poder da black music com a riqueza da música brasileira. Figuras ilustres como Heraldo Dumont e Hermeto Pascoal deixaram suas marcas nessa obra-prima, ainda pouco conhecida no Brasil.
Depois de desentendimentos com a indústria fonográfica, Di Melo sumiu no mundo, e muita gente jurava que ele tinha morrido. Recentemente, DJ’s do mundo inteiro redescobriram o disco, o que despertou o interesse pela vida do artista pernambucano.
Em 2011, o documentário “Di Melo, o Imorrível”, premiado em vários festivais, acabou com qualquer boato e trouxe-o de volta à cena.
Vivo como nunca, Di Melo enlouquecerá o Porão, acompanhado da banda Charlie e os Marretas. Do funk ao soul, do jazz ao afrobeat, o show trará sucessos como “Kilariô” e “A vida em seus métodos diz calma”, e muitas novidades.
Além da presença de Di Melo, o projeto “Vozes do Porão” contará com a apresentação do compositor Léo Versolato e do coletivo 811 Deejays.

Informações:

DI MELO – Vozes do Porão
Sábado, 20 de julho

21h00: 811 Deejays
22h30: Léo Versolato (show de bolso)
00H00: Di Melo + Charlie e os Marretas
02h00: 811 Deejays

Endereço: “Porão”, sob a Faculdade de Direito do Largo São Francisco – Rua Riachuelo 194, Centro, São Paulo/SP
Capacidade: 220 pessoas
Ingressos on-line: R$ 35,00

Apoio:

Banner-TM-blog.jpg

Publicado em A Viajeira! | Deixe um comentário

Lô Borges no Porão da Faculdade de Direito do Largo São Francisco

O projeto cultural “Vozes do Porão” traz a São Paulo um dos maiores artistas da música brasileira, membro do eterno Clube da Esquina

No dia 29 de junho, a partir das 21h, o Porão, sede histórica do Centro Acadêmico XI de Agosto, recebe Lô Borges. Uma noite muito especial da edição 2013 do projeto cultural “Vozes do Porão”, inaugurada, no início deste mês, com o show de Dona Inah, a dama do samba paulista. O projeto tem por essência a valorização de uma cena cultural independente no centro velho, bem no coração da cidade de São Paulo.
Lô Borges dispensa apresentações. É, simplesmente, um dos maiores responsáveis pelo reconhecimento do tão aclamado Clube da Esquina, movimento que aglutinou o talento de uma geração de músicos mineiros a partir da década de 70. Em um show intimista, bem de pertinho, voz e violão, o compositor apresentará grandes sucessos como “Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo”, “Clube da Esquina”, “Para Lennon e McCartney” e “O Trem Azul”, regravados por artistas do calibre de Tom Jobim, Elis Regina e Milton Nascimento. Em intensa atividade produtiva, com inúmeras parcerias (Samuel Rosa, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Tom Zé, entre outros), desde 2000 Lô Borges lançou seis discos, cujas canções também integrarão o repertório do show.
“É um passo fundamental para o projeto ‘Vozes do Porão’, que pretende não só abranger a cena autoral independente, mas também viabilizar a apresentação de artistas que já gozam de notoriedade. E o que é melhor: em um espaço inteiramente integrado à arquitetura tradicional do centro de São Paulo”, ressalta Lucas Faria, da Viajeira Produções, empresa organizadora do evento, com o apoio institucional do Centro Acadêmico XI de Agosto.
Além do grande show de Lô Borges, o projeto “Vozes do Porão” seguirá noite adentro, com a apresentação da banda independente Chá de Marimbondo e do coletivo 811 Deejays.

Flyer LoBorges

Informações:

LÔ BORGES – Vozes do Porão
Sábado, 29 de junho

21h00: 811 Deejays
22h30: LÔ BORGES
00H15: Chá de Marimbondo
01h15: 811 Deejays

Endereço: “Porão”, sob a Faculdade de Direito do Largo São Francisco – Rua Riachuelo 194, Centro, São Paulo/SP
Capacidade: 220 pessoas
Ingressos on-line: R$ 60,00

Publicado em A Viajeira! | Deixe um comentário

Dona Inah no show “Fonte de Emoção”

Frai - Dona Inah

Informações:

Dona Inah, a dama do samba paulista, vencedora do Prêmio da Música Brasileira em 2005, inaugurará a edição 2013 do projeto “Vozes do Porão”, com o show de divulgação de seu novo disco, “Fonte de Emoção” (2013).

Sábado, 8 de junho
21h30 – Abertura
22h – Pocket show de Arthur Doca
23H – Dona Inah
Rua Riachuelo, 194, Centro, São Paulo
(“Porão”, sob a Faculdade de Direito do Largo São Francisco)

Publicado em A Viajeira! | Deixe um comentário

Hyldon em entrevista à Viajeira

hyldon foto blog

VIAJEIRA – Nascido em Salvador, logo te levaram para Senhor do Bonfim, no sertão baiano. Qual é a importância dessas primeiras vivências no seu universo musical?
HYLDON – Senhor do Bonfim é uma cidadezinha perto de Juazeiro, na Bahia. Do outro lado, atravessando o Rio São Francisco, está Petrolina, em Pernambuco. Eu tive muito influência do que eu ouvia nas feiras e nas festas, como a de São João, uma das maiores da Bahia. Tocavam por lá Luiz Gonzaga, Banda de Pífanos de Caruaru e bandas de frevo. Minha cultura, até os sete anos, foi a sertaneja.
VIAJEIRA – Com sete anos, a sua família mudou-se para o Rio de Janeiro. Não é novidade dizer que, na década de 60, o Rio vivia uma grande efervescência cultural. Como era ser um adolescente nessa época?
HYLDON – Eu nasci em 1951. Duas coisas me marcaram muito nessa época: o rádio e o rock and roll.
VIAJEIRA – Como foram as suas primeiras experiências como músico?
HYLDON – Comecei a tocar violão com sete anos. Com treze, ganhei uma guitarra Giannini Super Sonic do meu primo Pedrinho, dos “Fevers”, e formei uma banda de garotos da minha idade, chamada “Os Abelhas”. Fizemos bailes, programas de rádio e até tocamos na “Festa do Bolinha”, programa da antiga TV Rio, do Jair de Taumaturgo.
VIAJEIRA – Ao falar de soul no Brasil, é comum nos lembrarmos de uma “turma”, na qual se incluem, além de você, Tim Maia, Cassiano, entre outros. Como vocês se conheceram?
HYLDON – Cassiano e “Os Diagonais” eu conheci nos estúdios. Eles faziam backing vocal pra muita gente, e eu já tocava guitarra em gravações. Fui apresentado ao Tim nos estúdios da Philips. Cheguei com o Camarão, irmão do Cassiano, pra mostrar umas músicas pra ele. Logo ele me chamaria pra tocar na sua banda e fazer algumas parcerias. A nossa primeira foi “I don’t know what to do with myself”, que fez parte do segundo disco do Tim, do qual participei tocando guitarra também.
VIAJEIRA – Antes de gravar seu primeiro disco, você já era um jovem produtor bastante desenvolto. Conta um pouco do processo de gravação do seu primeiro disco, “Na rua, na chuva, na fazenda” (1975).
HYLDON – Foi muito simples. Fiquei um tempão compondo e fazendo os arranjos. Fui produzir na Polydor pra sacar mais de estúdio, e trabalhei muito com o Azymuth em discos e shows de vários artistas. Então, quando fui gravar, estava super entrosado com eles.
VIAJEIRA – Na sua boca, o que é o soul brasileiro?
HYLDON – Acho que é só rótulo. O que faço é música popular brasileira com influência de tudo que ouvi na minha vida, inclusive a soul music, o funk americano, o jazz, o blues, mas com muito Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dorival Caymmi, Mutantes, Gil, Caetano, Chico, Edu Lobo…É muita gente.
VIAJEIRA – O disco “Deus, a Natureza e a Música” (1976) inaugura uma fase de desentendimentos com a indústria fonográfica. Depois de tanto tempo, como você enxerga esse período?
HYLDON – Consegui manter minha liberdade artística, hoje é o que importa. Quando se faz muito sucesso é natural que as pessoas queiram ouvir coisas parecidas, mas nunca gostei de me repetir. Isso veio do tempo em que eu fazia bailes, tinha que tocar igual aos originais, tirar os solos iguaizinhos… acho que fiquei meio traumatizado. Gosto de surpreender as pessoas com soluções novas, de música, de levada e de letras.
VIAJEIRA – Embora distante dos olhares indiscretos da imprensa, sabemos que você nunca se afastou, de verdade, da música. Fale das suas andanças entre esse período conturbado, no final da década de 70, e a sua retomada definitiva, com a criação de um selo independente e com a formação da banda “Zona Oeste”, no começo dos anos 2000.
HYLDON – As pessoas em geral – pois tem sempre um grupo que gosta de música boa e corre atrás – só se ligam no que toca no rádio e aparece na TV. É o que toca porque, infelizmente, tem alguém pagando pra isso. Eu sempre gravei meus discos, mesmo com maiores intervalos, mas nunca parei de tocar, de estudar e de compor, três coisas que me alimentam. Nos anos 80, o mercado estrangulou a produção artística. Começou a era do jabá, que eu espero que um dia acabe.
VIAJEIRA – Uma das marcas de “Romances urbanos”, disco inédito, é a grande quantidade de parcerias: Mano Brown, Céu, Arnaldo Antunes. Como elas surgiram?
HYLDON – Já tem tempo que venho compondo com outras pessoas. É interessante porque acabo pegando outros caminhos, desbravando outras vertentes. Ampliam-se as possibilidades.
VIAJEIRA – Além das parcerias, o que você destacaria nesse novo projeto?
HYLDON – A participação da minha banda, a “Zona Oeste”. São músicos maravilhosos, que vem trabalhando comigo desde o início de 2000. Sem falar dos músicos convidados. Além dos compositores conhecidos, tem alguns jovens talentos, como o Léo Cavalcanti, Andréa Santiago, Hanna Inaiah, Giulia Costa, Guinho Tavares. Dos antigos, tem parcerias com Zeca Baleiro, Jorge Vercillo, Pedro Luís e com o poeta Sérgio Natureza. Quem ouviu gostou muito do resultado dos arranjos, da qualidade de som e, modéstia à parte, estou cantando melhor e com paciência pra colocar as vozes. Outro ponto a destacar são os arranjos vocais. Ah, tem um música dedicada ao Tim Maia gravado pelo naipe original que tocou na “Vitótia Régia”, atual “Banda do Síndico”. Nessa música, convidei um cara em que eu me amarro muito. Ele é super musical, mas como faz comédia na TV, esse lado não fica tão valorizado: é meu amigo Serjão Loroza.
VIAJEIRA – E falta pouco pra parir?
HYLDON – Estou finalizando as vozes e mixando com calma pra não desandar. Mas a capa está pronta, é um desenho do grafiteiro e artista plástico Fábio Ruas.
VIAJEIRA – Tem que ter físico pra enfrentar a turnê que vem por aí… Como anda a pelada do Politheama?
HYLDON – Minha pelada é minha terapia, minha análise. Fora as três vezes por semana no campo do Chico (Chico Buarque), ainda malho numa academia perto de casa. Tocar duas horinhas é mole.
VIAJEIRA – Hyldon, seja em discos próprios, seja em regravações, como “Na rua, na chuva, na fazenda” (Kid Abelha) ou “As dores do mundo” (Jota Quest), as suas canções são muito executadas. Você está satisfeito com o sistema de arrecadação e distribuição de direitos autorais no país?
HYLDON – Já foi bem pior. Hoje o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) faz um belo trabalho.
VIAJEIRA – A sua música tem seduzido as novas gerações. Você, que tem trânsito livre nas mais diversas “tribos” musicais, tem ouvido algo novo que lhe tenha despertado a atenção?
HYLDON – Ouço de tudo um pouco, gosto muito da galera do rap. Tenho participado de discos e até de clipes. “Chama os Mulekes”, clipe da “Cone Crew Diretoria”, está com 10 milhões de visualizações na internet. Agora mesmo, acabei de fazer uma melodia com o Sandrão do “RZO”, inspirado no filme “Colegas”, do Marcelo Galvão . Gravamos o clipe em São Paulo, com direção do Galvão. Aguardem.
VIAJEIRA – O selo “Seroma”, fundado por Tim Maia, na década de 70, é um marco da produção independente no Brasil. E hoje? Vale a pena ser independente?
HYLDON – Independência ou morte. Mas isso não quer dizer que eu não esteja aberto a parcerias. Se for pra somar, estamos juntos.

——–

Esse é o “Viajeira Entrevista”.

Para acompanhar a nossa próxima entrevista, clique em “Seguir”.

Confira as outras entrevistas realizadas e curta a página da Viajeira no facebook!

Publicado em Entrevistas | Deixe um comentário

Dona Inah em entrevista à Viajeira!

dona inah post

Nascida em Araras, no interior paulista, Dona Inah se cercou de música desde bem menina. Com vinte anos, já cantava no rádio, na década de cinquenta. Entre orquestras, bailes, cozinhas, clubes e casas noturnas, não teve tempo para duvidar do próprio talento.

Em 2005, após meio século de persistência, recebeu o Prêmio TIM da Música Brasileira, aos 70 anos, na categoria “Revelação”, com o disco “Divino Samba Meu” (2004). Depois disso, andou pelo mundo, fez shows pelo Brasil inteiro, surpreendeu o Marrocos e encantou a Europa. 

Hoje, prestes a completar 78 anos, vive a euforia do lançamento de seu terceiro disco, “Fonte de emoção” (2013), enquanto espera o próximo, gravado em Cuba, com a participação do pianista Pepe Cisneros e de outros músicos cubanos.

Assista à entrevista: http://wp.me/p3gt2F-4E

Para acompanhar a nossa próxima entrevista, clique em “Seguir”.

Confira as outras entrevistas realizadas e curta a página da Viajeira no facebook!

Publicado em Entrevistas | Deixe um comentário

Assista ao Viajeira Entrevista – Dona Inah


Para acompanhar a nossa próxima entrevista, clique em “Seguir”.

Confira as outras entrevistas realizadas e curta a página da Viajeira no facebook!

Publicado em Entrevistas | Deixe um comentário

Gravação de “Delicadeza” – Dona Inah (Viajeira Entrevista)

Vídeo de divulgação da 4ª edição do “Viajeira Entrevista”, com Dona Inah, que será publicada na quinta-feira, 18.04.13.

São trechos da gravação de “Delicadeza”, canção do novo disco de Roberto Riberti, “Túmulo do samba”, que será lançado em 2013.

Publicado em A Viajeira! | 1 Comentário

Sérgio Ricardo em entrevista à Viajeira

imagem sergio

VIAJEIRA – Em 1967, no Festival da Record, você quebrou um violão no palco e jogou na plateia. Depois de 16 discos lançados, mais de uma dezena de trilhas para cinema e televisão (Glauber Rocha, Dias Gomes…), trilhas para o teatro (Gianfrancesco Guarnieri, Ziraldo…), mais de dez filmes (outros dois em fase de produção!), livros muito prestigiados, pinturas, enfim, depois de tanta arte vivida e bem brigada, não dá vontade de quebrar um violão na cabeça de quem insiste nessa história do festival?
SÉRGIO RICARDO – Não exatamente em quem insiste, mas na mídia de uma forma geral. Voltada para o imediatismo, o sensacional, seu prato preferido. E tome garfada daqui e dali, pra saciar a sua fome de notícia descartável pra vender o seu produto insípido, pouco se importando com a contribuição de suas vítimas, quase sempre do outro lado da moeda. Ainda bem que o meu gesto não se maculou com as alfinetadas, ao contrário, e de certa forma deu-me a fama de um contestador enfezado contra o sistema que a cada dia que passa vem revelando sua decadência, usando como ponte a mídia que ele comanda. Se ao invés de focar seu interesse num único gesto de um artista, procurasse, com o mesmo interesse, revelar sua contribuição, estaria prestando um serviço à sociedade, como, com toda modéstia, no meu caso. Infelizmente este destino não recaiu só sobre o meu trabalho, mas sobre a quase totalidade das criações culturais e artísticas de nível transformador contido na estrutura de nossa contribuição artística e cultural. A prova disso é o rebotalho cultural espalhado pelo país, inibindo o talento dessa juventude carente de espaço para dar continuidade ao nosso processo histórico de uma cultura invejada por todo o mundo.
VIAJEIRA – Em 1961, seu filme “Menino da calça branca” foi um dos marcos do Cinema Novo. Em seguida, os filmes “Esse mundo é meu”, “Juliana do amor perdido” e “A noite do espantalho”, embora pouco conhecidos no Brasil, tiveram grande repercussão internacional. Aos 80 anos, você retorna ao cinema com duas novas produções: “Bandeira de retalhos” e “Estória de João Joana”. Qual é o olhar do seu cinema sobre a atualidade?
SÉRGIO RICARDO – O mesmo que o olhar na música ou qualquer modalidade artística. No cinema, especificamente, pela dificuldade de se encontrar o dinheiro para sua produção. Arte cara, necessitando de muita gente e tecnologia para sua confecção, só desperta interesse na captação de recursos, tanto do lado do governo como da maioria dos patrocinadores, em filmes comerciais, distanciados do propósito empunhado pelos heroicos criadores do Cinema Novo, que na ossatura de seus filmes levantava discussões sobre nossa realidade política, a incentivar o brasileiro a tomar uma atitude diante de sua realidade. Esta função mais elevada da arte foi posta de lado e os filmes que se propõem a insistir na postura de fazer da arte uma arma de transformação têm sido jogados na vala do esquecimento, dando lugar às superficialidades dos subfilmes, em grande maioria acomodados nas panelas captadoras de recursos. Raramente, um ou outro espoca na praça, ganhando público no boca a boca, na periferia das possibilidades de produção. Abocanham prêmios em festivais, mas são, em sua quase totalidade, sem mercado de exibição. Salvam-se raras exceções.
VIAJEIRA – Conta um pouco da “Estória de João Joana”…
SÉRGIO RICARDO – Acredito que este meu próximo filme possa fugir à regra pelo fato de ser uma história baseada no único cordel do maior poeta brasileiro, Drummond, por ser um musical de comprovada aceitação pelo sucesso alcançado na exibição de concertos em municipais no Brasil, com orquestra sinfônica e interpretação dos maiores cantores que temos, além de ter despertado o interesse da intermediação de uma das mais sérias distribuidoras e produtoras do cinema brasileiro, possibilitando uma realização digna da intenção do filme, não só por sua estética como por seu conteúdo, ao se ter um drama em torno da mulher do campo rodeada por uma realidade contundente do campesinato brasileiro. A Lume Filmes proporciona a leitura de um exemplo à continuidade de nosso crescimento cinematográfico. Espero poder dar forma final digna a um projeto dessa envergadura.
VIAJEIRA – As lutas sociais sempre guiaram a sua vida e a sua arte. Na década de 70, sua participação foi fundamental na luta contra a remoção de moradores da favela do Vidigal. Tanto tempo passado, hoje sob um regime “democrático”, de repente nos deparamos com absurdos como a desocupação do Pinheirinho… Fale do universo da peça e do filme “Bandeira de retalhos”…
SÉRGIO RICARDO – Este é um assunto que requereria a visão honesta de um sociólogo, filósofo ou político para esmiuçá-lo dignamente. Eu me atrevo a dizer, como observador distanciado das ambições com o enriquecimento ilícito, que este é o aspecto mais repulsivo do sistema capitalista, favorecendo, através da grilagem da terra, o empobrecimento de milhares de famílias, com requintes de crueldade deploráveis pelo desprezo ao semelhante, pouco se lixando com as consequências de sua desonestidade. São os cafetões da pobreza, tanto governos como empreiteiras e capitalistas inescrupulosos, a demonstrar e cultivar uma pobreza muito maior em seus íntimos valores humanos. Esta espécie se constitui nos seres mais desprezíveis deste planeta. Em escala maior, os responsáveis pelas guerras, a fome e a miséria cada vez mais crescente no planeta. Em minha peça que pretendo filmar, “Bandeira de retalhos”, retrato minha vivência como participante de uma resistência na favela do Vidigal, no fim dos anos setenta, contra a tentativa de remoção dos moradores por imobiliárias endossadas pela ditadura, vencidas graças à união de pessoas de todas as áreas: política, religiosa, assistência social, etc., em parceria com as vítimas, que ao final, defendidas por Sobral Pinto, conseguiram impedir a remoção. É outro filme que pretendo realizar.
VIAJEIRA – Nosso Cinema Novo já virou cinquentão… Em junho, seus filmes serão relançados em DVD pela Lume Filmes. Qual é a sua expectativa?
SÉRGIO RICARDO – Minha expectativa é a melhor possível, em se tratando de uma distribuidora com o histórico da Lume Filmes. Entre minhas deficiências profissionais, talvez a mais marcante seja a da comercialização de minhas obras, por uma absoluta falta de interesse em extrair delas o lucro para a sobrevivência ou manutenção de uma bela conta bancária. Como me basta o cachê de meus shows, sobrevivo de meu trabalho mais braçal do que intelectual. Por estar sempre envolvido com a criação desta ou daquela forma, não me sobra tempo nem desejo de estar à disposição da tarefa de comercializá-la. Fico muito feliz quando uma entidade como a Lume Filmes se prontifica a preencher esta lacuna. Não pelo lucro em si, mas pela felicidade de saber que o fruto do meu trabalho encontra eco ou interesse em alcançar o maior número possível de pessoas. Aliás, esta é a aspiração legítima de todo artista.
VIAJEIRA – Direitos autorais e Roberto Carlos (o rei). Atualmente, na sua cabeça, qual é a relação?
SÉRGIO RICARDO – Independente do valor artístico do Rei, tenho certos problemas com sua conduta como cidadão. Não consigo perdoá-lo e a outros que seguem sua trilha, suas posturas, desde os idos da ditadura, quando se colocavam publicamente a favor do regime, e, agora, a favor das irregularidades detectadas no ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), a ponto de prontificar-se a desmanchar a luta de sua classe. Fica muito na cara uma posição unilateral de interesse por manter o seu próprio status, usando seu prestígio popular para envolver políticos na aprovação de uma lei que quer a fiscalização de um órgão que prejudica a classe. Acho essa postura, no mínimo, irresponsável.
VIAJEIRA – O projeto de lei 129/2012, em tramitação no Senado (atropelando tudo), propõe alterações inacreditáveis na lei de direitos autorais. Você que, há décadas, é um dos mais ferrenhos defensores dos direitos da classe artística, o que acha disso?
SÉRGIO RICARDO – Não há muito que explicar. Foi aberta uma CPI do ECAD e detectou-se um desvio de dinheiro astronômico destinado ao autor brasileiro. Branco ou preto, com ou sem sucesso, com mídia ou sem mídia, não importa. Todos têm direito de arrecadar o direito que lhe pertence. Como não há uma arrecadação confiável, não pode haver uma distribuição confiável. Pegam o bolo de milhões de reais pagos por TV’s, rádios, consultórios, clubes, etc., etc. Colocam tudo num bolo e distribuem conforme critérios internos, favorecendo este ou aquele de sucesso para que aparentemente esteja sendo imparcial, e, os demais, muitos deles nem constam na relação. Uma enorme parcela do dinheiro arrecadado está nas contas bancárias de membros da diretoria que retêm o grosso da arrecadação. Foram detectados, os nomes apareceram e foram apresentados à Justiça para as devidas condenações. O que mais se precisa saber para condená-los e fazer uma fiscalização no órgão? Ah, mas tem que passar pelo Congresso e ser votada a represália, patati patatá. Aí entra um autor de sucesso, não em nome da classe, mas de si mesmo e contesta. Os políticos fanzocas vão na lábia do cara, alguns levam uma bolada por baixo do pano e votam contra. Olhem a gracinha. Volta tudo à estaca zero. E o que é mais engraçado: os contraventores são pagos com o dinheiro dos autores.
VIAJEIRA – No meio desse alvoroço, você acha tempo pra escrever. Como anda o novo livro?
SÉRGIO RICARDO – Acabei de escrever. Chama-se “Igarandé: a aldeia de dois caminhos”. É um romance à procura de um editor. Quem se arrisca?
VIAJEIRA – E a música brasileira? Ainda tem jeito?
SÉRGIO RICARDO – Não sou profeta, mas me arrisco a dizer que a música brasileira ainda vai surpreender muito. A força de nossa musicalidade é infinita e não precisa se vincular a modismos vindos de fora. Basta seguir a inspiração popular, com as variadas modalidades rítmicas, melódicas, harmônicas e poéticas que caracterizam quase todas as regiões do país, numa diversidade a dar inveja a qualquer outra nação. Para que ela vingue, basta um tempinho de espera para que esses jovens espalhados pelas escolas de música cada vez mais abundantes do país, que se voltam para a nossa história cultural, aqueçam sua inspiração. Tenho visto e ouvido jovens que por enquanto não encontraram vitrine para o seu trabalho, com verdadeiras joias de composição baseadas em nossas fontes, de fazer inveja a qualquer um.
VIAJEIRA – Qual é o preço da coerência?
SÉRGIO RICARDO – É tornar-se escravo do amor. Tem suas compensações.

——–

Esse é o “Viajeira Entrevista”.

Para acompanhar a nossa próxima entrevista, clique em “Seguir”.

Confira as outras entrevistas realizadas e curta a página da Viajeira no facebook!

 

Publicado em Entrevistas | 1 Comentário

Belchior em entrevista à Viajeira

Belchior: “Metade do que dizem de mim é mentira”. Veja a entrevista!

BELCHIOR – Não sumi. Nunca sumi, nunca me escondi. Metade do que dizem de mim é mentira. Da outra metade não custa duvidar.
VIAJEIRA – “Eu tenho medo de morar em Ipanema, eu tenho medo de Minas Gerais”. São versos de “Pequeno mapa do tempo”, canção sua. Você tem medo de morar no Brasil? É por isso que você foi passar um tempo no Uruguai?
BELCHIOR – Boa pergunta! (risos) O humor ainda vale a pena. Eu tenho medo é dessa procura insistente pelo vazio. Não sou uma celebridade, não me submeto a essa lógica. A minha vida pessoal não deve interessar a ninguém. Não deveria. Disso eu tenho medo.
VIAJEIRA – E medo de avião?
BELCHIOR – Já tive, eu já até disse isso em outra oportunidade… eu tenho medo do valor das passagens (risos).
VIAJEIRA – Vamos ao que interessa: as suas letras são longas, discursivas, mas, ao mesmo tempo, aproximam-se do falar coloquial…
BELCHIOR – É verdade. Eu sempre me preocupei em fazer da canção um espaço de ressonância da língua portuguesa. A canção é uma forma de ampliar a sonoridade da palavra. Quando eu era mais jovem, me via como um literato. Depois percebi que a música popular trazia em si esse poder, o poder de suportar a palavra de uma forma irresistivelmente intensa. E a minha forma de compor, artesanalmente, mais transpiração do que inspiração, reafirma essa sua constatação.
VIAJEIRA – Ouvimos dizer que é comum que você leve não mais que um dia pra terminar uma canção. Como é isso?
BELCHIOR – Vocês estão bem informados. É um prazer ser entrevistado por quem se prepara pra isso. E, além disso, eu vejo a curiosidade estampada em seus olhos, um interesse real. Dá um certo desgosto responder a quem pergunta por perguntar, sabe… Enfim, muitas canções eu fiz em um só dia. É que, não raramente, eu componho pra gravar, sob um objetivo específico. Parece pouco tempo, parece fácil. Na verdade, essas músicas, ao nascerem, têm a idade de toda a minha vida mais um dia.
VIAJIERA – O eu lírico das suas canções confunde-se com o autor?
BELCHIOR – Em algumas ocasiões. “Como nossos pais”, música que muita gente conhece, é ácida, amarga, medicinal. Não é apenas uma crônica do conflito de gerações. Eu me insiro, eu me vejo, eu me sujei daquele drama. Talvez por ter ultrapassado a mera narrativa de um conflito, ou talvez pelo não distanciamento entre autor e personagem, foi possível chegar perto da alma. É esse sentimento que permite que essa música beire o atemporal.
VIAJEIRA – É, essa música não tem freio. Está pra nascer uma geração que não se sinta atingida…
BELCHIOR – Se um dia isso acontecer, se essa música deixar de provocar o que tem provocado, eu espero que seja por uma boa razão: terá ocorrido uma mudança cultural razoável. Ainda não vi isso. Continuamos como nossos pais. É um clichê bem triste.
VIAJEIRA – Como anda o projeto de tradução de suas músicas para o espanhol?
BELCHIOR – Camiñando. Outros rapazes latino-americanos vão ouvir o meu som…
VIAJEIRA – Você tem composto?
BELCHIOR – Tenho, tenho sim. Tenho mais de vinte canções novas.
VIAJEIRA – E quando elas serão lançadas? Quando haverá mais shows?
BELCHIOR – Essa é outra história. Pra outra conversa…Desliga esse gravador e vamos tomar um café (risos). Vocês tomam vinho?

Publicado em Entrevistas | 8 Comentários